Talvez uma excelente fase e nada mais.
Com domínio exemplar de bola, passes cadenciados e lançamentos primorosos, o jovem camisa 10, com enorme facilidade, cantava jogadas claras de gol e encantava os olhos do público.
Naquele ano, sob rara elegância, suas batutas chuteiras conduziram o time da Vila Belmiro às conquistas do Campeonato Paulista e Copa do Brasil ao mesmo tempo que competia, nas crônicas esportivas, com o não menos famoso Neymar, pelo às da bola praiano.
Mas, e sempre existe um mas no futebol, o que parecia ser uma carreira destinada a desfilar na avenida do estrelato desviou-se perigosamente para a ruela do anonimato.
Motivos?
Bem, de início, uma precoce e forçada ausência dos gramados, decorrente de uma séria de infelizes lesões, foi considerada culpada pelo ritmo desafinado que se mostrava aparente a cada nova apresentação de PH Ganso.
Depois, quando nenhum outro título lhe fazia jus, a não ser o rótulo de um jogador comum, conflitos financeiros entre seus procuradores e a direção santista foi apontado como causa de uma reinante e insuportável apatia no interior dos gramados.
Hoje, defendendo as cores do Morumbi, PH Ganso não é nem sombra daquele raro jogador que um dia despertou paixões, tampouco parece ser a reencarnação dos grandes camisa 10 de um passado distante do futebol, que a mídia esportiva não cansou de vender.
E, novamente, pipocam razões que tentam justificar, neste início de ano, injustificáveis atuações medíocres do ex-maestro: falta de sequência de jogos e escalação fora de seus domínios.
O problema é que, quando diante de qualquer dúvida, respostas se acumulam aos montes, sobressaem desculpas - quando não esfarrapadas -, e a verdade, se é que existe, muito se fragiliza
E a seguinte dúvida é: PH Ganso é realmente craque de bola ou simplesmente não passa de um jogador comum que, por razões não explicáveis, vivenciou dias gloriosos e por razões também não explicáveis, volta a ser apenas um mero jogador, a exemplo de muitos tantos outros.
A verdade se PH Ganso é mesmo craque de bola ou, como queiram os mais apaixonados, um maestro de chuteiras, independe de palavras. Depende, sim, se será capaz de harmonizar a equipe do São Paulo, como fez, num passado não muito distante, com extrema eficiência com a equipe do Santos.
E que seja rápido, pois a verdade sobre seu potencial de grande jogador começa a se estilhaçar.
E não resistirá, infelizmente, a novas e velhas desculpas.
Nenhuma mais.
Inté.

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